Aos Ombros de Gigantes
Para começar o ano vou falar um bocado de um livro que comprei na última vez que fui a Portugal: Aos Ombros de Gigantes (curiosamente a FNAC parece pensar que o título do livro é Aos Ombros dos Gigantes). O livro é coligido e comentado por Stephen Hawking (recentemente completou 70 anos) e pretende ser uma colecta de textos de Física e Astronomia que revolucionaram as ciências de onde brotaram assim como o mundo do qual faziam parte estes homens. Olhando para o índice é mais do que claro que a selecção de textos é mesmo muito boa, mas sentimos que falta alguém muito importante na escolha destes gigantes.
Seja como for, talvez seja importante saber um bocado da história do título deste livro: é uma das frases mais conhecidas na história das ciências e como tal está sujeita a vários tipos de enganos e más interpretações.
Tanto quanto sei a primeira aparição desta ideia remonta ao século XII e a pessoa por detrás da versão original do aforismo -nanos gigantium humeris insidentes, qualquer coisa como anões apoiados nos ombros de gigantes- é Bernardo de Chartres. Um filósofo natural seguidor das correntes neo-platónicas.
Ao longo dos tempos várias pessoas pegaram nesta ideia para exprimir o evidente facto que progressos científicos ocorrem de uma forma gradual durante largos períodos de tempo e que toda uma comunidade de pessoas dá o seu contributo.
A pessoa mais famosa de todas a dizer isto é Newton (Carlos Fiolhais parece pensar que Newton é a primeira pessoa a exprimir esse sentimento) quando numa carta a Robert Hooke diz o seguinte, citando o nome de Descartes (o tal gigante que está em falta):
What Descartes did was a good step. You have added much several ways, and especially in taking the colours of thin plates into philosophical consideration. If I have seen a little further it is by standing on the shoulders of Giants.
